Notas

Budismo e o seu pessimismo

Faz um tempo já que eu comecei a meditar, ler, ouvir, assistir sobre esse tal de Budismo. Existem discussões se é uma religião ou uma filosofia. Como isso funciona? Esse povo vive de luz do sol? Tem deuses? Para tudo! Vamos respirar!

No Budismo é muito provável que a primeira coisa que alguém vai ter falar é: a impermanência. Vão te mostrar que todos os fenômenos são impermanentes: sua vida, seu namoro, sua faculdade, sua fome, sua festa de aniversário, o natal, a infância, o campeonato de futebol, etc. Tudo tem um fim, por qualquer meio que seja, todas essas coisas cessam em algum instante. E o que acontece quando o seu namoro com aquela pessoa acaba? O que acontece quando alguém querido morre? O que acontece quando faltam dois dias pra acabar a viagem? Desaba, né? Tudo vem abaixo, né? Pois é, vão te falar disso também, é a tal da impermanência. Mas isso acontece de novo? Eu vou eleger de novo coisas legais e elas vão acabar, não? Pera, isso é cíclico? Eu vou sofrer de novo? Não! Eu controlo isso aqui tudo, é tudo meu! Não vai acabar!

Respira, amigo. Isso, respira fundo. O Budismo tem uma receita de bolo e o primeiro ingrediente é a meditação. Existem diversas técnicas, mas eu acredito e na experiência que eu vivi que o começo é mesmo encontrar um espaço para acalmar a mente. É o relaxamento, depois disso talvez falem pra você contemplar a impermanência. Esses budistas são cheios de técnicas para investigar a nossa natureza. E eles dizem que o caminho é longo e pode até durar muitas vidas, o que quer que isso signifique.

Mas então como você me explica essas fotos que eu achei?

Chagdud Tulku Rinpoche e Lama Padma Samten na consagração da terra para a construção do templo. CEBB Caminho do Meio, Viamão, RS Chagdud Tulku Rinpoche e Lama Padma Samten na consagração da terra para a construção do templo. CEBB Caminho do Meio, Viamão, RS por CEBB Imagens é licenciada por CC 2.0

Monja Coen durante encontro Aparigraha com Daisy Rodrigues, Lia Diskin e Celeste no I Encontro de Yoga na Universidade de São Paulo - 2010

Monja Coen durante encontro Aparigraha com Daisy Rodrigues, Lia Diskin e Celeste no I Encontro de Yoga na Universidade de São Paulo - 2010 por Fernando Stankuns é licenciada por CC 2.0

De onde vem esse sorriso então, hein!? Como pode falar desse sofrimento todo, dizer que permeia nossas vidas e que não existe como escapar e ficar exibindo esses sorrisos por aí? Isso não parece certo não.

Então, eles tão sorrindo assim porque acreditam que tem solução pra essa coisa toda. É que quando o Buda histórico(o carinha que diz ter despertado e tudo mais, era príncipe, tá ligado?) resolveu falar dessa coisa toda para as pessoas que o cercavam ele achou que esse papo de despertar não ia colar porque ninguém ganharia com a iluminação dele. Então ele resolveu falar do que era comum a todos, a tal da impermanência o sofrimento proveniente dela. Aí sim ele teria abertura para enumerar as quatro nobre verdades, caminhos dos oito passos, entre outros ensinamentos. Uma vez um instrutor disse durante o estudo do Sutra do coração que todos os ensinamentos do budismo, se você olhar atentamente, possuem o mesmo princípio: liberar o sofrimento.

Hm, não parece tão pessimista agora, na verdade não parece pessimista. Parece que alguém pegou toda a zona, incerteza e desconforto da minha vida e me disse que isso é assim mesmo, mas que eu posso olhar para essa coisa toda de outra forma. É isso mesmo? Eu posso fazer isso? Pode sim, amigo.

Curioso? Se liga nessa brasília. Mais curioso? Se liga no CEBB, existem outras tradições aqui no Brasil e você pode procurar, questione e vá vendo onde teu santo bate! Ah, relaxa que existem outros caminhos, outros seres se iluminaram antes do Buda histórico, ou seja, sem o caminho budista e outros o fizeram depois, também sem o caminho budista.

Isso tudo foi só um dialogo despretensioso e aleatório, o melhor mesmo é ir num local onde possa estudar e ler sobre budismo com a orientação de alguém experiente. Aproveitem!